terça-feira, 29 de abril de 2008

Deuses e traição no Egito



A TRAIÇÃO DO FARAÓ E A BENÇÃO DE BAST
"A Morte chegará em Asas Rápidas àquele que perturbar a paz do Rei"

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Seus pés, feridos pelo calor das areias escaldantes, deixavam um rastro de sangue pelas dunas. Ele sabia que Sekhmet, a incansável deusa-leoa da punição, a arma de guerra de Rá, o seguiria onde ele fosse por seu crime, de assassinar o faraó. Mas aquele homem não se entregaria, mesmo sabendo que era inútil fugir, ele ganhou o deserto onde os ventos moldam o horizonte e de onde nada retorna. O deus-sol ardia impiedosamente, vigiando sua peregrinação um falcão voava em círculos sobre seus passos. A brisa quente qual o hálito da morte trazia consigo a areia que cegava e sufocava. Atrás de seus calcanhares, surgidos de suas pegadas, escorpiões e serpentes demarcavam a passagem do traidor. As mesmas criaturas que ele usou para envenenar o leito do faraó, que condenou seu maior servo a morte nos labirintos de pedra dos subterrâneos da grande pirâmide, por conhecer demais seus segredos. O Tjati sobreviveu à armadilha e queimou todos os documentos dos escribas, trouxe a morte para a família real, envenenando e decapitando o descendente de Rá para que ele não pudesse receber a honra do embalsamento pelos sacerdotes de Anúbis. Só, talvez, Ísis em pessoa poderia restaurar seu corpo, da mesma maneira que ela fez com seu marido, Osíris, juiz dos mortos, através de magias. Para preparar o cadáver do faraó para a outra vida os embalsamadores precisariam da cabeça que o Tjati atirara no Nilo e que os crocodilos de Sobek devoraram. Ele não só arruinara a dinastia do Egito, mas também destruíra a pós-vida do faraó.
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Os rugidos estavam cada vez mais próximos, logo Sekhmet o alcançaria. Suas pernas fraquejavam, as forças o abandonavam rapidamente. Cego e fraco, a voz sibilante que o guiava dizia que ele estava quase chegando, quase seguro. Não era o medo e sim o ódio que o fazia continuar caminhando. Embora todos o considerassem inquestionavelmente um traidor miserável - ele sabia que em cada lar do Egito as famílias rogavam maldições sobre seu nome - o primeiro a trair foi o faraó por temer o potencial daquele que sempre o ajudou e o admirou. E quando se sofre uma traição dessas, de quem deveria ser o exemplo para todos, tudo que se deseja é vingar-se. Não importa o preço que a mão que o reerga cobre. Somente uma mulher pedia aos deuses que poupassem a vida do Tjati, a serva de Bast, que amava o vizir e sabia que ele não era nenhum conspirador e nunca havia desejado usurpar o poder. O destino dele estava na fé dela. Bast, a deusa-gato era a única capaz de aplacar a fúria de Sekhmet, a deusa-leoa.
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Enfim, chegou ao fim, ao limite. As pernas se dobraram e ao cair, ele sabia que não teria mais como se levantar. Rolou pelas areias até as margens de um oásis seco. O falcão, subitamente caiu por terra, morto. Uma tempestade de areia e fogo negro tomou o ar e engoliu Sekhmet, a confundindo, fazendo-a perder o rastro de sua presa. O exército faraônico que Sekhmet liderava enlouqueceu ante ao poder caótico e as armas que estavam destinadas ao Tjati, acabaram por derramar o sangue dos próprios guerreiros que as empunhavam. Do corpo do Tjati surgiu uma fonte de sangue que encheu todo o oásis, Sekhmet, ao descobrir onde sua caça se escondia, correu para cumprir sua missão. Porém ali, Rá não mais mantinha seu domínio. Aquelas terras esquecidas eram de um outro deus, pertencentes a um outro ser, exilado e poderoso. Sekhmet se banhou no sangue do Tjati, celebrando sua vitória, e quanto mais sangue ela bebia, mais fundo no poço ela afundava. Ébria e descontrolada, Sekhmet percebeu tarde demais a ilusão de Seth, o deus do caos, traição, do deserto, da guerra e das serpentes. O sangue, vinho e veneno, que ela se embebedava não parava de jorrar ao ponto de ameaçar afogá-la. Garras a seguravam pelas patas e a puxavam para baixo, a leoa rugia, tentando fugir. A sua força, no entanto estava comprometida devido ao veneno de Seth. Uma enorme serpente lutava contra Sekhmet e a cada golpe que a rasgava ao meio, dos pedaços a serpente se multiplicava as centenas misturando o sangue divino ao profano. Assim a batalha continuou até a leoa tombar e não restar mais nenhuma serpente. O Tjati havia recorrido ao temível deus Seth para ter sua vingança contra o faraó que o tinha sentenciado a morte. E Seth usou a vingança do Tjati para promover a destruição. Traição atrás de traição, esse ciclo continuaria irremediavelmente, Ouroboros, se não fosse Bast.
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A tempestade se desfez e quando o mundo recobrou sua sanidade, o astro-rei estava sendo invadido por uma sombra. Um sol negro coroado por uma auréola de fogo reinava um novo reino. Que não era nem de Seth, nem de Rá. Nas alturas e profundezas sentiu-se um tremor, e do oásis onde o sangue de Tjati, Seth e Sekhmet se misturaram, surgiu a deusa dos gatos, Bast. A deusa se compadeceu de sua serva que rogava perdão ao seu amado e veio pessoalmente interceder por eles.
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Tjati se tornou uma pantera negra, de olhos de jade e corpo mais profundo e escuro que a mais triste das noites, enquanto a serva de Bast se tornou um jaguar, de olhos cor de argila e mel. E ambos fugiram enquanto o Egito se recuperava da traição, para o coração inóspito do deserto. Onde nem deuses nem homens poderiam os alcançar.

sábado, 26 de abril de 2008

A Poesia - Manoel de Barros

A POESIA - Manoel de Barros
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A poesia, a poesia está guardada nas palavras
É tudo que eu sei
Meu fardo é não entender quase tudo
Sobre o nada eu tenho profundidades
Eu não cultivo conexões com o real
Para mim poderoso não é aquele que descobre o ouro
Poderoso pra mim é aquele que descobre as insignificâncias do mundo e as nossas
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil
Fiquei emocionado e chorei
Sou fraco para elogios.

domingo, 6 de abril de 2008

Mais uma da Colasanti

Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
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Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
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Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.
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Marina Colasanti
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Roubei do blog do Solda

quarta-feira, 26 de março de 2008

Um Tigre de Papel - Marina Colasanti (uma homenagem minha a Claudia, uma professora inesquecível)


Um Tigre de Papel - Conto da Marina Colasanti
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Sabendo que a ele caberia determinar seus movimentos e controlar sua fome, o escritor começou lentamente a materializar o tigre. Não se preocupou com descrições de pêlo ou patas. Preferiu introduzir a fera pelo cheiro. E o texto impregnou-se do bafo carnívoro, que parecia exalar por entre as linhas.
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Depois, com cuidado, foi aumentando a estranheza da presença do tigre na sala rococó em que havia decidido localizá-lo. De uma palavra a outro, o felino movia-se irresistível, farejando o dourado de uma poltrona, roçando o dorso rajado contra a perna de uma papeleira.
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Em vez de escrever um salto, o escritor transmitiu a sensação de movimento com uma frase curta. Em vez de imitar o terrível miado, fez tilintar os cristais acompanhando suas passadas. Assim, escolhendo o autor as palavras com o mesmo sedoso cuidado com que sua personagem pisava nos tapetes persas, criava-se a realidade antes inexistente.
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O quarto parágrafo pareceu ao escritor momento ideal para ordenar ao tigre que subisse com as quatro patas sobre o tamborete de "petit-point". E já a fera aparentemente domesticada tencionava os músculos para obedecer quando, numa rápida torção do corpo, lançou-se em direção oposta. Antes que chegasse a vírgula, havia estraçalhado o sofá, derrubado a mesa com a estatueta de Sévres, feito em tiras o tapete. Rosnados escapavam por entre letras e volutas. O tigre apossava-se da sua natureza. Já não havia controle possível. O autor só podia acompanhar-lhe a fúria, destruindo a golpes de palavras a bela decoração rococó que havia tão prazerosamente construído, enquanto sua criatura crescia, dominando o texto.
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Impotente, via aos poucos espalharem-se no papel cacos de móveis e porcelanas, estilhaçar-se o grande espelho, cair por terra a moldura entalhada. Não havia mais ali um animal exótico na sala de um palácio, mas um animal feroz em seu campo de batalha.
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O escritor esperava tenso que o cansaço dominasse a fera, para que ele pudesse retomar o domínio da narrativa, quando o viu virar-se na sua direção, baixar a cabeça em que os olhos amarelos o encaravam, e lentamente avançar.Antes que pudesse fazer qualquer coisa, a enorme pata do tigre abatendo-se sobre ele obrigou o texto ao ponto final.
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Hoje é aniversário da Claudia Maris Tullio que foi a minha professora de Literatura na faculdade. Uma mulher maravilhosa, maravilha, que fez com que eu pegasse de vez o gosto pela literatura e que me apoiou a escrever, a ler e a ter coragem de mostrar o que eu conseguisse exprimir através do texto. Inteligente, alegre e linda, ela me emprestou seu livro da Marina Colasanti de contos chamado "Um Espinho de Marfim E Outras Histórias", adorei devorá-lo, acredito que a leitura e o gesto da Claudia de me emprestar esse livro foi um dos responsáveis de eu querer me aventurar pelo mundo dos contos. Ela também conseguiu me arranjar em uma outra ocasião, "O Castelo De Otranto", o primeiro livro considerado pelos estudiosos, "gótico". Se trata de um romance onde pela primeira vez, a força principal não está nos personagens principais, no heroísmo deles e sim, na força maléfica, diabólica. Eles são meramente desculpas, testemunhas do oculto, desconhecido e poderoso mistério que assola o castelo. E hoje, me lembrando de tudo isso, encontrei pela internet esse conto da Marina Colasanti que estava na coletânea que a Claudia me emprestou e me bateu uma vontade de oferecer a oportunidade de quem gosta de ler, de apreciar esse conto curto, delicioso. Espero que gostem e feliz aniversário professora!

domingo, 23 de março de 2008

DEPETRIS, DE ITARARÉ, ZÉ


Depetris, De Itararé, Zé
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Eu venho da pedra, como diz meu nome
Da fenda, gruta, rasgada e molhada
Onde o divino e o profano promovem
Almas de andorinhas para poetas
Aqui fazemos piada mesmo da guerra
Da iminente ameaça de morte certa
Mudamos, mas o fazemos devagar, sem pressa
Mais importante do que o tempo é a queda
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Nossa cozinha experimental alimenta a cabeça
Das crianças que por ventura morram de fome
Quem não quer amar uma Andressa?
Me perdoem, Elvira Pagã, euela elaeu
Que culpa temos nós de sermos felizes?
O Solda que nos liga é forte
A voz é doce e marcante, Rogéria
Não temos carnaval, temos, no entanto a alegria
Resistimos a tudo, exceto às tentações
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Cristo, premiada Via-Crucis
Orquídeas, espinhos, Andrea e sorrisos
Além dos Sentidos, Maria
Barão da Barreira, Barão de Itararé
Terra de Nobres
Ed Primo, entre amigos
Pra brilhar, havemos de ser qual as estrelas
Entrar no exílio, distância
Para assim ver se alguém percebe o talento que é deixado em desperdício
A cambalear das pernas pelos paralelepípedos
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Meus sonhos lisérgicos são providos
Por Long Sized Dream oníricos
TNT, Killer Machine e outros vícios
Isso tudo, apenas isso, é só o início
Vinte anos, dois meses, dois dias
Beautiful

quarta-feira, 19 de março de 2008

Poema à Vadiagem

Seja na preguiçosa manhã de qualquer dia
Ou ainda na tarde vadia
Mesmo na noite, madrugada
Quando quiser, pode vir
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Seu ninho está com saudade
Guarda as garras e me afaga o peito
Com seu jeito, rodopia sobre si mesma
Até encontrar a melhor maneira de se deitar sobre o meu coração
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Ronrona, se espreguiça
Derrama-se e alisa
Faz dos meus pêlos travesseiro
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Fecha os olhos e descansa
Volta a rir que nem criança
Que eu te desejo bons sonhos com um beijo

terça-feira, 18 de março de 2008

Bocage


SONETO DO EPITÁFIO
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Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

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Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
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Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
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"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

segunda-feira, 17 de março de 2008

Mais um soneto


LÁZARO
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Não consigo pensar em outra cova mais conveniente
Para me enterrar feito decadente pecadora serpente
Do que a greta de onde brota o rio do aniquilamento
Minha língua-víbora ardente a abrir caminho
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Minhas últimas palavras serão aterradores gemidos
Que ecoarão para sempre na sua garganta, golpe infinito
Onde saliva e dentes mastigam o último suspiro
E deitam no calor interior o fogo infernal e ígneo
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Meu túmulo é o teu corpo sobre o meu quente
Nas trevas me entrego a paz de repente
Jazigo de lençóis molhados e perenes
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Faz-se o milagre, silenciosamente
Eis que, a arder em desejo, subitamente
Ressuscito

quinta-feira, 6 de março de 2008

Soneto Escarlate

SONETO ESCARLATE
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As ondas rubras quebram em teus ombros
Em quedas, cascatas de vermelhidão que ecoam em teus ouvidos
Entre meus dedos, eu colho a umidade, o veludo e o perfume
Desses cabelos quais medusa, vivos
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Ao vento, cachos rebeldes dançam
Roçam a pele levemente, carinho quase desafio
Pois o teu toque, é de eriçar os sentidos
E o teu cheiro é capaz de entorpecer os que amam
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Fortes e viçosos, presos, asas de corvos
Em que seguro com força para puxar
Impiedoso trazendo o teu corpo inteiro para trás
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Desse sagitário são as rédeas que cavalgo
E, no fim, quando ambos estivermos aniquilados
São debaixo dos caracóis carmim que eu vou me aninhar
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POSTADO POR E AGORA JOSÉ?

segunda-feira, 3 de março de 2008

Manhã-Crônica: ASAS


“_Minhas asas? Há, elas são frágeis e fáceis de quebrar, inúteis. Se eu dependesse delas para voar, jamais conseguiria ir mais longe que as serpentes. Ainda bem que minha alma é leve, cavalga o vento, beija a brisa, e não há limites para onde ela possa ir, ela sempre segue a felicidade. E, mesmo assim, para todo anjo caído meu amigo, restam-lhes as pernas. Os homens, os mortais, são tudo o que eles possuem, e eles desafiaram com elas, os portões da casa de Deus, marchando sob a chuva, foram mais longe que qualquer um poderia imaginar. E Ele viu que isso era bom, (no fundo, depois de algum tempo, todo deus quer se aposentar) basta que nós vejamos isso também. Nas noites, penso em você, acordado ou sonhando. E acordo com o despertador da saudade.”