sexta-feira, 18 de março de 2011

Christian Woman - Type O Negative

Forgive her
For she knows
Not what she does....

A cross upon her bedroom wall.
From grace she will fall.
An image burning in her mind.
And between her thighs.

A dying God-man full of pain.
When will you cum again?

Before him beg to serve or please.
On your back or knees.

There's no forgiveness for her sins.
Prefers punishment?

Would you suffer eternally
Or internally?

Ah.

For her lust
She'll burn in hell.
Her soul done medium well.

All through mass
manual stimulation
Salvation.

Corpus Christi
She needs
Corpus Christi
Corpus Christi.

Corpus Christi
She needs
Corpus Christi
Corpus Christi.

Body of Christ.
She needs.
Body of Christ.
Body of Christ.

She'd like to know God.
love God.

Feel her God.
Inside of her - deep inside of her.

She'd like to know God.
love God.

Feel, feel, feel
Her God,
Inside of her
Deep inside of her.

Inside of her
Deep inside of her.

Jesus Christ looks like me
Jesus Christ,
Jesus Christ looks like me
Jesus Christ.

Hóstia



Nevava, Matilde estava nua em seu apartamento minúsculo. O último cliente do dia acabara de partir e ela aproveitava para relaxar. Estava cansada, a pele quente lavada de suor e esperma, mas feliz. Era véspera de Natal e Matilde sempre acreditou que as pessoas se tornavam melhores nessa época. Por exemplo, o último cliente em questão havia deixado uma maço de cigarros caro de presente para ela. Isso tinha que significar alguma coisa, não?
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Começou a recordar de quando foi violada por seu pai, de quando apanhou de sua mãe quando ela soube, e da inveja dela ao saber que a filha dava mais prazer ao marido que ela mesma. Rememorou orgulho que sentiu ao se tornar a puta mais procurada da rua e de receber até mesmo seus primos que há muito fantasiavam com seu corpo. E relembrou a amarga decepção ao procurar ajuda na fé e perceber que o padre, que deveria guiá-la pelo caminho espiritual, se masturbava enquanto ela confessava com detalhes o que fizera com cada cliente do dia.
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No entanto tudo aquilo era passado, os anos ensinaram Matilde. E ela ensinou os clientes a respeitá-la, ninguém mais tentou sair sem pagar ou quebrar a sua cara. Seu amigo, que por muito tempo ela dividiu um quarto na pensão da Salomé, lhe ensinou a usar a navalha e ela brandia a lâmina como ninguém. Ela em contrapartida o maquiava e o deixava lindo, o transformando em uma linda rapariga que fazia o que os homens quisessem, era menino e menina e cobrava caro. Matilde sentia falta daquele rapazote, ele era muito engraçado, pena que foi embora tão cedo devido à "maldita".
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Matilde esteve com ele nos seus últimos dias, o confortou como pode das dores da enfermidade que se abatera sobre seu corpo e o assistiu dar o seu último suspiro, com lágrimas nos olhos. E ele deixou para ela suas economias de sua breve e intensa vida. Foi com esse dinheiro que Matilde conseguiu comprar o apartamento que agora vive, simples, mas belo. Como o próprio amigo.
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Se fosse para ela se apaixonar por alguém, pensava ele sobre essas bobagens, teria sido por aquele rapaz lindo com rosto de boneca. Porém Matilde sabia que nenhum homem poderia de fato amar uma mulher como ela, e seu amigo, mesmo se estivesse vivo, não poderia satisfazê-la como ela desejava. No mais todos os homens aparentavam agir apenas como animais e procuravam apenas se saciar. Não tinha ninguém com quem contar. Só havia um ser a quem ela poderia se entregar sem medo e se sentir tocada.
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Pegou então o crucifixo roubado de uma tumba enfeitada no cemitério e enquanto tragava o cigarro deixado pelo cliente, abriu as pernas deixando o santo amor invadi-la. Apenas Ele sabia o que era amor e Matilde orou por horas, engolindo à sua maneira o corpo de Cristo, em comunhão com o seu próprio, até desmaiar em êxtase.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pequena Morte


Que as chamas devorem os fracos, incendeiem as almas, queimem as feridas, incinerem o passado e das cinzas renasça mais forte o desejo. Ardente, flamejante, em beijos inflamáveis e pele febril, corpos suados e noites infernais. Pois o futuro será ígneo, vulcânico, quente e úmido, forte, lento e fundo. Regado a gasolina, traga um fósforo para brincarmos com fogo. Combustão de prazer, carbonizando fantasias, o combustível é a saliva. E lancemos nessa pira os lencóis sujos e deitemos sobre o carvão faiscante, salamandras insinuantes, bailando, dragões e diabos ao redor de nossa consumação piromaníaca. Labaredas lambendo a pele, as paredes, os sexos. Derretendo velas e estátuas de cera, anjos escorrendo, o prazer manchando a pele, sangue pulsando rápido e fervente. Sentidos em ebulição, gritando em vapores abafados a liberdade e a solidão, a pequena morte.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Votos


Que tua boca me beije, me engula, me sugue, me lamba, me morda
E tuas mãos me abracem e teus dedos me arranhem e me acariciem
Como os meus hão de te penetrar e tocá-la por dentro
Fazendo-te tremer, gemer, contorcer-se, implorar

Invadindo-te por inteira
O meu corpo te violará com força e violência
Como gostamos, como animais
E me desfazerei dentro de ti, em flama líquida
E você verterá ondas, espuma e paz

Sem nunca dizer - "Eu te amo" - jamais

Na saúde e na indecência
Até que o desejo se acabe
Amém

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

EGO


Ele era arrogante e orgulhoso, servo da vaidade e um cínico que sonhava em ser romântico. Amava perdidamente, desde que o objeto de seu desejo o venerasse. Para ele, escrever sobre seus sentimentos e dores era como lustrar um espelho próprio, um Narciso petulante e solitário que de tanto se enganar, começou a aprender a machucar para evitar ser machucado. Escritor maldito e perdido, sorrindo e vazio, esquentando-se nos corpos alheios e matando a sede na saliva das bocas que se propusessem. Um sátiro, um bobo da corte.
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Uma comédia que sonhava em ser drama.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Carpe Diem


Sua boca cheirava a cigarro e bebida, mas o que ela fazia com a língua valia esse pequeno preço. O toque de decadência até chegava a lhe parecer charmoso, conveniente para um poeta maldito, eram os pensamentos que lhe passavam quando bebia. Fora que ele com seu poder de argumentação a dominava e isso era como um combustível precisoso para a sua vaidade. Contra todas as apostas e premonições, contudo, faziam-se felizes. Sem cobranças, sem bobagens, primitivamente como animais eles se atraíam e seus corpos se entendiam.
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A chuva os perseguia onde estivessem, era sair ao ar livre e as águas lhes lavava a alma. Os céus pareciam obcecados em lhes redimir os pecados, entretanto ambos não se interessavam em se arrepender. Muitas cicatrizes fazem isso com as pessoas, ao invés de querer esquecer ou apagar o passado esses seres aproveitam para viver o presente. Um presente sem futuro, um presente sem passado, um presente sem esperança de ser mais do que um presente.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Satisfaction


Não quero ter todas as mulheres do mundo
Mas quero dar a cada mulher que tiver
Um mergulho profundo

E ser o melhor que puder
Sem precisar fazê-la esquecer de todos os outros
Apenas sabendo que ela há de me guardar sempre bem

E semear sorrisos e suspiros
Gemidos e carinhos
Sem medo, sem dor, sem pressa

E ao menos em um segundo de cada noite

Me sentir pleno

Quase que
completamente

...satisfeito

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Píton


Sou serpente e mastigo entre os dentes
bocas, línguas e clitóris

Sou víbora e despejo veneno sobre coxas e seios

Respiro gemidos alheios
Me aqueço roubando o calor de outros corpos
Me escondo dentro das mulheres

Mordendo-lhes o pescoço
Até sangrar
Sugando a vida e o prazer

E em um abraço constritor
quebro-lhes o corpo
fazendo suas almas
gozarem

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Primavera


O vento devagar lambe a pedra
e a molda, invisível, transformando
o bruto em belo

E assim, sem pressa, brinca com a água salgada
e cria ondas que podem engolir praias
e destruir castelos

Mais além, faz carinho no jardim
e pétala por pétala, à flor da pele
causa arrepio, causa medo, calafrio
depois murmura e cala, e por fim
quando parece que não vai acontecer mais nada
aprendemos que simplesmente
nascera um jardim em outro lugar

Quem sabe no deserto de pedras lambidas pelo ar
Ou em uma ilha que há de afundar no mar
O importante é saber fazer tudo florir
E aprender a amar

sábado, 18 de dezembro de 2010

No harm done, No harm taken


Às vezes é mais fácil arranjar um pretexto
Mesmo que assim, sem jeito, sem nexo
Tem coisas que só se acalmam
com sexo
.
E a chuva nos molha de um jeito ou de outro
Sabemos que é uma busca por ouro de tolo
No entanto, não conseguimos deixar
de mergulhar no mar revolto
.
E assim é, E agora José?
hei de brindar o que vier
sem jamais me arrepender do passado
que estará para sempre enterrado
em cova rasa
.
e se o vento te balançar os cachos
saiba quem é que há de estar ao teu lado
só há uma ninfa, só há um sátiro