
Nevava, Matilde estava nua em seu apartamento minúsculo. O último cliente do dia acabara de partir e ela aproveitava para relaxar. Estava cansada, a pele quente lavada de suor e esperma, mas feliz. Era véspera de Natal e Matilde sempre acreditou que as pessoas se tornavam melhores nessa época. Por exemplo, o último cliente em questão havia deixado uma maço de cigarros caro de presente para ela. Isso tinha que significar alguma coisa, não?
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Começou a recordar de quando foi violada por seu pai, de quando apanhou de sua mãe quando ela soube, e da inveja dela ao saber que a filha dava mais prazer ao marido que ela mesma. Rememorou orgulho que sentiu ao se tornar a puta mais procurada da rua e de receber até mesmo seus primos que há muito fantasiavam com seu corpo. E relembrou a amarga decepção ao procurar ajuda na fé e perceber que o padre, que deveria guiá-la pelo caminho espiritual, se masturbava enquanto ela confessava com detalhes o que fizera com cada cliente do dia.
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No entanto tudo aquilo era passado, os anos ensinaram Matilde. E ela ensinou os clientes a respeitá-la, ninguém mais tentou sair sem pagar ou quebrar a sua cara. Seu amigo, que por muito tempo ela dividiu um quarto na pensão da Salomé, lhe ensinou a usar a navalha e ela brandia a lâmina como ninguém. Ela em contrapartida o maquiava e o deixava lindo, o transformando em uma linda rapariga que fazia o que os homens quisessem, era menino e menina e cobrava caro. Matilde sentia falta daquele rapazote, ele era muito engraçado, pena que foi embora tão cedo devido à "maldita".
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Matilde esteve com ele nos seus últimos dias, o confortou como pode das dores da enfermidade que se abatera sobre seu corpo e o assistiu dar o seu último suspiro, com lágrimas nos olhos. E ele deixou para ela suas economias de sua breve e intensa vida. Foi com esse dinheiro que Matilde conseguiu comprar o apartamento que agora vive, simples, mas belo. Como o próprio amigo.
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Começou a recordar de quando foi violada por seu pai, de quando apanhou de sua mãe quando ela soube, e da inveja dela ao saber que a filha dava mais prazer ao marido que ela mesma. Rememorou orgulho que sentiu ao se tornar a puta mais procurada da rua e de receber até mesmo seus primos que há muito fantasiavam com seu corpo. E relembrou a amarga decepção ao procurar ajuda na fé e perceber que o padre, que deveria guiá-la pelo caminho espiritual, se masturbava enquanto ela confessava com detalhes o que fizera com cada cliente do dia.
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No entanto tudo aquilo era passado, os anos ensinaram Matilde. E ela ensinou os clientes a respeitá-la, ninguém mais tentou sair sem pagar ou quebrar a sua cara. Seu amigo, que por muito tempo ela dividiu um quarto na pensão da Salomé, lhe ensinou a usar a navalha e ela brandia a lâmina como ninguém. Ela em contrapartida o maquiava e o deixava lindo, o transformando em uma linda rapariga que fazia o que os homens quisessem, era menino e menina e cobrava caro. Matilde sentia falta daquele rapazote, ele era muito engraçado, pena que foi embora tão cedo devido à "maldita".
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Matilde esteve com ele nos seus últimos dias, o confortou como pode das dores da enfermidade que se abatera sobre seu corpo e o assistiu dar o seu último suspiro, com lágrimas nos olhos. E ele deixou para ela suas economias de sua breve e intensa vida. Foi com esse dinheiro que Matilde conseguiu comprar o apartamento que agora vive, simples, mas belo. Como o próprio amigo.
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Se fosse para ela se apaixonar por alguém, pensava ele sobre essas bobagens, teria sido por aquele rapaz lindo com rosto de boneca. Porém Matilde sabia que nenhum homem poderia de fato amar uma mulher como ela, e seu amigo, mesmo se estivesse vivo, não poderia satisfazê-la como ela desejava. No mais todos os homens aparentavam agir apenas como animais e procuravam apenas se saciar. Não tinha ninguém com quem contar. Só havia um ser a quem ela poderia se entregar sem medo e se sentir tocada.
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Pegou então o crucifixo roubado de uma tumba enfeitada no cemitério e enquanto tragava o cigarro deixado pelo cliente, abriu as pernas deixando o santo amor invadi-la. Apenas Ele sabia o que era amor e Matilde orou por horas, engolindo à sua maneira o corpo de Cristo, em comunhão com o seu próprio, até desmaiar em êxtase.
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Pegou então o crucifixo roubado de uma tumba enfeitada no cemitério e enquanto tragava o cigarro deixado pelo cliente, abriu as pernas deixando o santo amor invadi-la. Apenas Ele sabia o que era amor e Matilde orou por horas, engolindo à sua maneira o corpo de Cristo, em comunhão com o seu próprio, até desmaiar em êxtase.
Um comentário:
Nossa Zé! Sem ar depois de ler isso...mto bom!!
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