Um náufrago que se afogava em solidão estéril
Saía de casa para assumir o holofote
O picadeiro era onde fazia meu nome
Uma plateia, um público, cansado
No teatro de farsas eu representava
O que há anos repetia, como uma matraca
Sorvendo qualquer aplauso eu fingia estar vivendo
Passava o dia aguardando o momento
Um predador alerta, atento
Porém era tanto cansaço
Sem alento
Eu queria morrer
E me perdia no desespero
Tempestade e fúria
Frustração espúria
Impulso de vida, pulso de morte
Estão nos roubando a sorte
Não aguento mais a solidão da noite
E se me entregar ao sono
Quando acordar vai parecer que me sequestraram
Perdi aquele único tempo
Onde poderia realizar meus sonhos
Por enquanto, só tenho a mim mesmo
E o sofrimento
Das horas eternas
