sábado, 7 de março de 2026

HORAS ETERNAS


Eu era tempestade prestes a cair sobre o deserto

Um náufrago que se afogava em solidão estéril


Saía de casa para assumir o holofote

O picadeiro era onde fazia meu nome


Uma plateia, um público, cansado

No teatro de farsas eu representava

O que há anos repetia, como uma matraca


Sorvendo qualquer aplauso eu fingia estar vivendo

Passava o dia aguardando o momento

Um predador alerta, atento


Porém era tanto cansaço

Sem alento


Eu queria morrer

E me perdia no desespero


Tempestade e fúria

Frustração espúria


Impulso de vida, pulso de morte

Estão nos roubando a sorte

Não aguento mais a solidão da noite


E se me entregar ao sono

Quando acordar vai parecer que me sequestraram

Perdi aquele único tempo

Onde poderia realizar meus sonhos


Por enquanto, só tenho a mim mesmo

E o sofrimento

Das horas eternas

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