terça-feira, 3 de abril de 2012

Um cínico modesto


Sou escuridão e mágoa, medo, fraqueza, desespero e lástima
Me envolvo na lama e me cubro de sujeira, me escondo na última trincheira
Do abismo, eu vi no olho do obelisco o meu signo
De má sorte, de azar, de dor
Porque tudo vira poeira, tudo vira pó
Minhas mãos tocam as ruínas e estou sempre só
Abraço minha sombra, estou contra
A vida, a vida, a vida que não me traz
Nada de bom, nenhuma paz
Me contorço e me deixo levar
Pela esperança de me entregar
Em me tornar aquilo que detesto
Um cínico modesto.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Dia do Caçador


Me lembro aos dez anos, mais ou menos, de ver meu pai sair de casa bem cedo. Sempre que eu o via pegar o rifle e o facão, mesmo correndo risco de apanhar pedia para ir junto. Não era sua companhia que desejava, as armas era o que me atraía. Minha vida se resumia em passar os dias ajudando minha mãe com os afazeres da casa, foi com ela que aprendi a quebrar o pescoço das galinhas e a furar os porcos para fazê-los sangrar rapidamente. Nessa última lição, demorei a me aprimorar, por alguma razão me divertia errar e vê-los se debatendo e gritando esvaindo-se em sangue.
Não me lembro bem quando foi, mas um dia meu pai farto dos meus pedidos e mais bêbado do que o de costume me deu um canivete e um vira-lata para que eu cuidasse. Ele prometeu que quando o cachorro estivesse grande e forte eu poderia acompanhá-lo.
Cuidei do cachorro o melhor que pude. Minha mãe não gostava de tê-lo por perto e meu pai sempre o chutava quando passava por ele. Em pouco tempo o cachorro estava enorme, forte. Sempre tentava me defender de meu pai o que o deixava furioso. Esse cão foi o mais próximo de um amigo que tive e eu sabia que logo meu pai teria de cumprir sua promessa. E de repente em uma manhã, com poucas palavras ele me chamou. Fomos os três: ele, eu e o cão. Ordenou que eu não esquecesse o canivete.
Caminhamos por um bom tempo até uma clareira grande com um tronco no meio. Meu pai então me pediu que amarrasse o cachorro ao tronco. Enquanto eu fazia isso ele começou a explicar que para aprender a caçar eu precisava antes aprender a ser forte, entender o que significava tirar uma vida. Estremeci de pânico quando entendi o que meu pai queria que eu fizesse. Tive ódio de mim mesmo por ter pedido para acompanhá-lo e quis desistir, porém o tapa que ele me deu no rosto me fez perceber que eu não tinha escolha.

Passei a tarde inteira enfrentando aquele que foi o único que me fizera sentir amado. A cada mordida e a cada golpe de canivete gemidos e ganidos desesperados escapavam de nós. Só com o canivete eu o enfrentei, ele me amava, mas sabia que tinha que se defender porque eu iria matá-lo. E eu sabia que se não conseguisse vencer, meu pai não iria me salvar dos dentes que procuravam rasgar minha garganta.
Não sei quantas horas aquilo levou. Eu todo machucado o furava cada vez que ele se aproximava. Anos mais tarde me peguei chorando ao assistir uma tourada pela tv, meu cachorro agonizara exatamente como o touro que depois de ser cravado de lanças começa a sangrar pela boca e cambalear. Finalmente tudo terminou quando cortei sua garganta. O abracei forte para não deixá-lo fugir e em silêncio, enquanto ele se debatia e seu coração pulsava cada vez mais fraco, me despedi.
Meu pai orgulhoso das minhas feridas me obrigou a cavar com as mãos, no escuro, uma cova para minha primeira presa. Para dificultar ainda mais a situação uma chuva desabou sobre nós misturando o sangue à sujeira. A tempestade disfarçou minhas lágrimas. Voltamos tarde da noite, minha mãe se assustou ao me ver todo machucado, sujo e tremendo de frio, contudo não questionou meu pai. Eu estava exausto, ferido, triste, mas era enfim um homem. Sabia o que significava tirar uma vida e estava pronto para caçar.
Esperei até a baixa estação, não queria correr o risco de encontrar alguém. Lembro que fazia muito frio, as folhas úmidas calavam nossos passos. Passamos o dia seguindo rastros, checando armadilhas. Conseguimos muito pouco, as trilhas se desfaziam com facilidade. O humor do meu pai após a morte de minha mãe tinha ficado pior, insuportável. Então a alça do rifle arrebentou e ele foi obrigado a me dar a arma já que precisava das mãos livres para abrir a mata com o facão. Isso o deixou no limite, ele nunca me deixava carregar o rifle, não confiava em mim.
Então meu pai encontrou algumas pegadas frescas na lama. Seguimos com cuidado por um tempo até que avistamos um cervo bebendo água em um fio d’água abaixo de nós. Meu pai fez sinal para que eu esperasse e ele foi devagar se aproximando de nossa presa. Ele estava concentrado procurando uma posição de vantagem onde as árvores não atrapalhassem a visão. A ideia que me perseguia desde a minha iniciação também me mantinha focado, a respiração lenta, os olhos cerrados no alvo. Um suor frio escorria do meu rosto, minhas mãos firmes no aço sentiam o peso do rifle. Lentamente dobrei o joelho e me coloquei em posição, a arma encostada no ombro, o coração acelerado.
Um pouco antes de apertar o gatilho meu pai se voltou para trás para pedir a arma com um sorriso de satisfação por ter encontrado o ponto perfeito para disparar. Ao me ver seu semblante mudou subitamente – seu olhar espantado me encarou – e eu mirando em sua testa, puxei o gatilho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Fim do Mundo



Um dia as bandeiras sumirão do céu e as fronteiras se dissiparão porque simplesmente perceberemos que nunca existiram. Quem é que diz onde acaba o meu mundo e começa o seu? E entenderemos que o valor não se conta em cédulas nem se guarda em bancos. O que te faz pensar que é isso que te torna melhor?
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O nosso ódio contra raças, origens, pele, sexualidade que carregamos será extinto, porque enxergaremos o óbvio - isso jamais fez diferença, a atitude é que faz. A sua, a minha.
E nos daremos conta de que mais importante do que acreditar em Deus é acreditar em nós mesmos. A maior batalha não é pelo paraíso, mas pela vida. Por todos nós.
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E nos envergonharemos por tratar doentes como criminosos e criminosos como animais e animais como brinquedos e aqueles que deveriam brincar como produtos descartáveis. Descobriremos que há escolhas que todos devemos fazer e há escolhas que só os envolvidos podem tomar e não escolheremos pelas mulheres o que acontecerá no seu mais íntimo ou a uma pessoa no fim de seu corpo se ela pode partir ou não. E aprenderemos com os nossos erros e não os repetiremos por tradição e não seremos como os nossos pais, mas sempre, ao menos, um pouco melhores.
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Reconheceremos que precisamos aprender a viver sem nos deixar consumir em mesquinhez e sem tornar entretenimento em fuga.
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Um dia desses, um dia qualquer.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"Homens" por Fernanda Montenegro


Tive apenas 1 exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha ‘Salvem os Homens!’ Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat

Homem não pode ser mantido em cativeiro. Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.

Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correta

Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um ‘eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos, felizes e realizados durante todo o dia.

Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca. Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.


3. Carinho

Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.

Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.

4. Respeite a natureza

Você não suporta trabalho em casa? Cerveja? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher.

Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem

O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apoie.

6. Cérebro masculino não é um mito

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino.

Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurónios a menos). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objecto de decoração. Se você se cansou de coleccionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade. Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça.

E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele…

Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma. E minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí você vai ver o que é mau humor!

Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom! Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher ao lado dele, sempre.

Com carinho,
Fernanda Montenegro

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Amor Bandido


Ela passou pela revista aflita, não que se incomodasse em ter mãos estranhas apalpando seu corpo, estava acostumada a passar por isso desde criança. Tão pouco lhe causava qualquer mal-estar o celular na camisinha enfiado em seu sexo, pelo contrário, tantos já haviam estado ali contra sua vontade que o perigo de ser descoberta a excitava. Contudo a camisinha com cocaína fundo no ânus, isso sim, era um tanto desagradável. Claro que o fato de estar prestes a rever o seu homem era o verdadeiro motivo por trás de tudo, fazia alguns meses que ela não o via, desde que ele fora preso por tráfico.
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Nesse meio tempo, nada mais romântico do que trocar cartas de amor, cheias de mensagens e ordens para ela repassar para os outros do bando. Inclusive ela ajudou seu amado pagando com seu corpo as dívidas que ele fizera com os caras da facção. Enfim adentrou as muralhas do presídio, paredes cinzentas e enegrecidas pelas infiltrações, um fedor permanente de esgoto e suor no ar e os condenados tentando relembrar como se comportar com suas famílias. Ela foi direto ao pavilhão dele e com a ajuda de sua boca e mãos conseguiu entrar em sua cela. Os policiais tinham lhe castigado tirando o dia de visitas de seu amor só porque ele tinha tentado esfaquear o carcereiro, como se fosse algo ruim tentar acabar com a escória que cercava armada aquele lugar horroroso.
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O encontro foi lindo, ele vidrado assim que a viu a puxou para dentro e tirou quase rasgando suas calças. Ela surpresa por tamanho rompante de paixão deixou-se ser vasculhada por dedos ansiosos por resgatar os presentes que aquela mula carregava. Assim que puxou o celular e o pó, espalhou a coca em um espelho e começou a cheirar desesperadamente enquanto tentava ligar o aparelho. Ela, perplexa por ser deixada de lado ajoelhou-se e puxou o calção do amado, reparou nas marcas de agulha nos braços dele, mas achou melhor não comentar nada.
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Ela o queria muito, porém ele estava tão debilitado que não conseguia uma ereção nem com a melhor das bocas, e olha que ela tinha todos os dentes (também tinha alguns pivôs, é verdade, que custaram os olhos da cara para agradar sua cara metade). Frustrada ela tentou excitá-lo se tocando para ele. Para provocar mais, jogou um pouco do pó entre as pernas. Ele pôs-se a lambê-la e cheirá-la resfolegante. Com muita ajuda dos próprios dedos ela conseguiu um orgasmo mirrado e então o policial veio avisar que já estava na hora das visitas voltarem. Enquanto isso ele falava com os parceiros de fora no celular e pelo tom da conversa, não parecia muito feliz.
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Ela carinhosa quis se despedir com um beijo e ele docemente lhe cedeu um grande tapa na cara que lhe rendeu um tombo. Na queda ela bateu a cabeça contra a privada abrindo um corte profundo. Assustado o guarda entrou com a arma na mão e viu o preso ensandecido chutando a mulher que chorava de dor no chão. Assim que se aproximou o bandido se voltou contra o policial que estava pronto para disparar.
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A bala cravou fundo o peito da mulher que levantou-se para salvar seu amor. Enquanto ela se afogava com o próprio sangue, seu amado ria de seu sacrifício e cuspia em sua cara. O policial assustado chamava o reforço, iria alegar que a mulher entrou ali escondida e que o preso a matou. Acabara de decidir que aquele louco não sobreviveria a sua temporada no inferno.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alma Mater


Controle. Poder. Ordem. Mais do que necessário, vital. Afinal sempre houve e sempre haverá uma linha de comando, uma hierarquia, uma cadeia alimentar. Quando a primeira luz surgiu a primeira sombra foi criada. Eu sou apenas a evolução desse pensamento.
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Não tomo lados nem partidos, trato igualmente a todos. Por isso não me envolvo em guerras, apenas as alimento. Cada um acredita que Deus está do seu lado sem saber que eu estou muito mais próximo do que ninguém. Para mim é como tratar animais de estimação: armas e munições para ambos os lados. Nada é impossível, proibido, mas tudo tem seu preço.
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Negocio sacrifícios, lucros, vinganças, sucesso e quaisquer outros derivados dos sete itens principais do meu catálogo. Compro e vendo almas no atacado e varejo (garanto-lhe que não faz falta). Também chantageio anjos, afinal conheço bem suas quedas. Tenho contatos onde você nem pode imaginar com toda sorte de figuras. Sou mestre dos truques da Criação e me divirto em perverter, distorcer, deformar e mutilar seus frutos e filhos. Enquanto a luz da concorrência ilumina, a minha cega.
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O segredo do meu sucesso é o prazer que tenho em fazer meu trabalho. Enfim, posso lhe assegurar que estarei sempre à disposição e que você será muito bem atendido. Pronto para fechar negócio?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Invasões Bárbaras



Eles iniciaram a marcha sobre a terra ainda úmida pelo degelo dos primeiros dias de primavera. Conforme avançavam percebiam a paisagem se transformar em uma terra desolada: campos devastados, casas queimadas e terra salgada. O povo havia preferido destruir suas próprias fazendas a deixá-las para os inimigos.
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Então avistaram o castelo, o último refúgio da resistência. Sitiaram a fortaleza e ergueram suas máquinas de cerco. Decidiram esperar as catapultas abrirem uma brecha no muro exterior da cidade para iniciar o ataque, o que levou toda a estação das flores.
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Quando o verão chegou o exército avançava com suas torres para a invasão. Ao caminharem sob a sombra da muralha uma chuva de flechas surpreendeu os soldados que tombaram gritando de terror. Sem cessar flechas flamejantes continuaram a cair sobre os maquinários de invasão. Durante semanas os arqueiros repeliram qualquer aproximação enquanto em vão se tentava erguer uma barreira na brecha dos muros. A estratégia de invasão teve de ser mudada devido a nova situação e se começou então a construir em segredo um túnel por debaixo das defesas dos exilados. Enquanto arautos e diplomatas fingiam negociar um tratado de paz os soldados na calada da noite trabalhavam incessantemente para vencer o forte.
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Ao término do verão quando o túnel estava quase pronto para ser usado os defensores da cidadela derramaram nele óleo fervendo e depois atearam fogo carbonizando grande número de inimigos. A decepção do plano rendeu aos senhores da guerra muitas suspeitas de traição e dezenas foram torturados e enforcados por conta disso.
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O outono trouxe a fome, o frio e a tristeza, em desespero os homens mobilizaram-se para um ataque em massa. Os líderes do exército temendo uma rebelião prometiam aos soldados o direito a pilhagem e os lembravam das mulheres que lhes esperavam. A batalha campal se estendeu por toda a estação. Ao longo do dia os guerreiros se enfrentavam em embates épicos e durante a noite os sobreviventes retornavam ao campo de batalha para procurar e enterrar seus mortos. O confronto só cessou quando havia mais corpos para serem enterrados do que homens para cavar, o que trouxe para defensores e invasores um inimigo em comum: a doença.
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A companhia dos mortos fez com que uma praga se espalhasse ceifando mais homens do que toda a guerra, os dois lados viram seu contingente se perder quase que por completo. Piras de corpos ardiam e aqueciam os famintos de dentro e fora do castelo. O inverno chegara mais cedo e terrível do que o anterior trazendo tempestades de neve que logo tomaram todo o horizonte. Unidos em paz forçada os soldados assistiram o sofrimento dos velhos do castelo que agonizavam, viram os cadáveres das mulheres que perderam seus maridos e tiraram a vida de seus filhos e as próprias por medo das barbáries que sofreriam caso caíssem sob o domínio do oponente e os últimos guerreiros mutilados que tinham perdido a sanidade. Muito pouco sobrara para se conquistar ou ser defendido.
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Sem comida, sem fogo, os homens tiveram de se alimentar de seus semelhantes enquanto assistiam os dedos gélidos da morte gangrenarem seus braços e pernas. Como último recurso puseram a se amputar até que nenhum mais pudesse empunhar espada.
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Por fim, rastejando, mordiam-se como cães, famintos, loucos até perecerem um a um, lentamente sob a neve.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mr. Penny


Tudo começou simples. Quatro homens encapuzados, duas pistolas, duas calibre doze - Mr. Penny, Mr. Nickel, Mr. Dime e Mr. Quarter - no meio da tarde, em um banco com poucos clientes que se renderam facilmente e um gerente que abriu o cofre sem fazer alarde. Cheios os sacos de dinheiro Mr. Penny meteu uma bala pelas costas em Mr. Nickel o trancando no cofre. Assustados com o barulho, Mr. Quarter manda Mr. Dime ir ver o que se passa e antes de poder perguntar ao Mr. Penny o que havia acontecido esse lhe acerta uma bala na testa. Os disparos deixam todos desesperados, os reféns começam a chorar e a gritar, o gerente usa a distração e aperta o botão de emergência.
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Mr. Quarter grita para o Mr. Penny desistir e aparecer de uma vez, a polícia estava a caminho e se eles não saíssem logo dali tudo estaria terminado. Mr. Penny agarra uma mulher e a faz de escudo, respondendo que pelo contrário, aquilo era só o começo. Os dois ficam se encarando, cada um mirando a pistola contra o outro, as sirenes se aproximando. Mr. Quarter pergunta a Mr. Penny a razão dele ter os traído e a resposta é rápida: _Porque não quero dividir a amizade de Benjamin Franklin com ninguém...
Aproveitando a distração de Mr. Quarter, Mr. Penny descarrega o pente contra seu colega e ele caindo faz o mesmo. A mulher junto de Mr. Penny dá um grito e cai chorando com a barriga sangrando, Mr. Penny permanece ileso.
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Ainda daria tempo de Mr. Penny pegar as sacolas e partir no carro de fuga antes da polícia fechar o cerco. Bastava ele apagar o Mr. Wheels como fizera com o resto, assumir o volante e sumir. Mas Mr. Penny queria mais. E aí é que as coisas deixaram de ser simples.
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Um negociador, horas de tensão, uma exigência. O dobro do que havia no cofre em um carroforte e uma escolta até um avião. Os clientes do banco pelo carro e o gerente pelo avião. Se a luz fosse cortada, se um tiro fosse disparado por algum dos atiradores de elite, se a equipe da SWAT tentasse entrar, se eles usassem bomba de fumaça ou se eles não atendessem seu pedido em duas horas, todos morreriam. Enquanto isso Mr. Penny tirou todos os cartões de crédito dos clientes, anéis, alianças, celulares, pulseiras e relógios, pegou todos os trocados das carteiras. Exigiu que o gerente passasse todo o dinheiro de todas as contas dos clientes e fizesse no nome deles empréstimos do valor mais alto possível e que tudo isso fosse transferido para uma conta no exterior.
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O carro chegou e um a um os reféns foram liberados conforme acordo. Já quase dentro do carro e fora do alcance da polícia Mr. Penny viu que um dos reféns havia escondido sua aliança e agora a colocava de volta, feliz em rever a esposa. Mr. Penny pensou o quanto deveria valer uma aliança de ouro como aquela e comparou com o que estava prestes a conseguir, era óbvio que não deveria seguir, porém Mr. Penny sabia o valor de cada centavo e saiu do carro correndo contra o homem já com a mulher nos braços e atirou neles com a calibre doze. Todos os policias abriram fogo e em menos de um segundo Mr. Penny estava no chão, com dezenas de buracos de bala em seu corpo. O negociador correu até ele e perguntou o porquê dele ter feito aquilo e suas últimas palavras foram:
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_Duzentos e cinquenta e cinco dólares.
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Era o preço que ele conseguiria pela aliança.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Heroin


I've been fed since the very start by your poison
That you breastfed me with, that you gently dropped into my ears
From your venomous mouth I heard about everything
So many lies I believed in, always the right word to speak

You held me in the shadows and now I'm afraid of light
We've been in the dark for so long
How come I would bite the hand that made me strong?
As you are the mother, I am the son

Keep your friends close and your enemies even closer
That what you told me since the day I was born
And if I was once inside your womb
So what does it mean, mom?

You are, You've ever been, My heroin
Trapped me, hiding me from the world
Making me your plaything, a toy, a machine
Today this ends here

I will be no longer the guardian of your fears
Deal with your misery, this is the ending of you and the beginning of me



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Harém & Haraam


Delicadas mãos com dedos suaves despiram cuidadosamente cada peça de seu mestre que como um paxá instalou-se na cama macia sobre almofadas de penas de cisne. Os incensos aromáticos de ervas afrodisíacas davam ao ambiente um ar místico e erótico e a música tocada pelas jovens no alaúde, cítara e no tambor árabe pareciam vir do próprio paraíso. Em cada dedo de suas mãos e pés uma boca carnuda prostrou-se a sugar, enquanto outras lhe beliscavam delicadamente os mamilos com os dentes e três compartilhavam o prazer de se dividir em seu sexo. A esposa mais velha lhe afagava os cabelos e lambia suas orelhas lhe perguntando maliciosamente ao pé do ouvido se todas aquelas mulheres não eram as mulheres mais lindas que ele havia visto em toda sua vida e se ele não era o homem mais feliz do reino de Alá. A mais jovem lhe dava na boca uvas com calda e a cada uma ele fazia questão de lhe chupar os dedos que ela havia usado anteriormente conforme sua ordem para se masturbar.
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O primeiro gozo veio rápido e todas gritaram e festejaram o ocorrido. As três que trabalhavam com o membro disputaram desesperadas entre si para poderem lamber cada gota e esfregavam com sofreguidão o esperma em seus sexos na esperança de trazer filhos para o xeique. Ele assistiu absorvido a dança do ventre com espadas e serpentes por um longo tempo admirando as esposas sensuais de olhares e sorrisos sedutores que conquistara durante sua vida. Fumando seu narguilé e bebendo vinho inebriava-se com a atmosfera de sexo que o cercava.
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Com um sinal de sua mão todas se puseram em sua frente uma do lado da outra para que ele escolhesse quais lhe cavalgariam. As fez virar várias vezes e abrirem o sexo para que inspecionasse quais delas eram as que possuíam os lábios carnudos na boca e entre as pernas do jeito que lhe aprazia. Também exigiu que algumas se beijassem para saber quais eram as mais apaixonadas. Das dezenas de mulheres que possuía separou dez entre as mais jovens, as mais lascivas e a mais velha para lhe satisfazer. As outras se deitaram em um círculo ao redor de seu amo e começaram a se satisfazer umas com as outras. O som dos gemidos misturava-se as notas da música e excitavam o velho.
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Uma a uma pela ordem escolhida galoparam por alguns minutos o sábio que grunhia e roncava como um porco cobrindo uma porca. Aquela que acabava voltava ao fim da fila ansiosa em sentir novamente um homem, mesmo o mais decrépito, dentro de si. Se ganhassem barriga não seriam mais objeto de desejo do déspota e se livrariam da tirana de sua primeira esposa por isso elas faziam de tudo para satisfazer seu dono. As que eram escolhidas para serem tomadas por trás tinham de disfarçar a dor e o desapontamento por não terem chance de engravidarem mesmo que se banhadas de gozo.
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A mais desesperada de todas para se livrar do asqueroso e caquético velho rebolou com tanta força apertando os testículos do homem que ele em um misto de prazer e revolta acabou explodindo em um orgasmo tão intenso que fez seu coração parar. A bruxa ao perceber o ocorrido correu para chamar o eunuco para cortar a garganta da assassina, entretanto as outras mulheres a agarraram pelos cabelos e a levaram até a piscina de leite de cabra e pétalas de rosa que usavam para se banhar antes de receber o xeique e lá a afogaram.