sábado, 24 de outubro de 2009

O JARDINEIRO - OUTONO (Capítulo Sete)


O jardineiro e Allan esperaram no estacionamento por algumas horas até finalmente sua presa aparecer. O jardineiro lhe surpreendeu por trás, fazendo-o inalar uma substância que o colocou para dormir. Tão simples, tão rápido. O jardineiro ainda se certificou se não havia nenhuma câmera de vigilância que pudesse denunciá-los. No caminho de volta Allan cada vez mais envolvido não se conteve e perguntou ao jardineiro onde ele aprendera sobre química.
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_Você já leu "O Perfume", Allan?
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_Não...
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Respondeu envergonhado.
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_Bom... Resumidamente, a história conta sobre um jovem francês que possui um olfato capaz de reconhecer os mais variados odores. Esse jovem acaba se apaixonando pelo aroma humano e tenta desesperadamente salvar a fragrância para transformá-la em perfume. E como nós, tem que recorrer a métodos não muito ortodoxos para isso.
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Allan embora se sentisse mais e mais próximo do jardineiro, ainda tinha dificuldade para entender totalmente o que ele dizia. Ele lendo em sua feição a incompreensão de Allan, tratou de ser mais claro.
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_O que quero ilustrar são os processos complicados que Grenouille usa para conseguir o que quer. Derivados de antigos segredos alquímicos. Eu sou só um bom jardineiro que mantém a tradição de sua arte e faz o que é preciso pra cuidar bem do seu jardim. Inclusive aprender como manipular substâncias para que a natureza se dobre à minha vontade. E as pessoas também, se necessário.
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O brilho intenso dos olhos do jardineiro fez desabrochar um sorriso de malícia no rosto de Allan. Era mais do que mera cumplicidade o que os dois mantinham entre si, eles estavam se tornando íntimos. E finalmente Allan começava a desvendar o enigma confuso que o jardineiro simbolizava em sua mente distorcida. Ele estava se contaminando com sua doença.
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Estavam novamente na sala com o gerador elétrico responsável por manter o clima da estufa. Na mesma sala onde Allan fora torturado na cadeira de rodas. Dessa vez, no entanto, a situação era diferente. Allan passara do papel de vítima para o de algoz. Era como um déjà vu visto por outro ângulo. O lento despertar, o desespero de estar vendado e preso, o medo, a impotência. Todavia essas emoções revisitadas após o trauma da tortura geravam prazer, a cada banho de água gelada, a cada gemido de dor pelos choques elétricos que o jovem médico dava, enchiam Allan de êxtase.
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O doutor confessou que abusava de suas pacientes enquanto elas estavam sedadas. Descreveu como as tocava e se masturbava sobre seus corpos enquanto elas permaneciam inconscientes. Allan queria matar novamente, sem a raiva de outrora, com calma para aproveitar cada reação de dor provocada pela lâmina. O médico implorou pela morte, mas o jardineiro e seu aprendiz tinham que se preparar para atender o pedido de seu convidado.
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Eles saíram da cidade e pegaram uma estrada abandonada onde o jardineiro havia escondido um carro roubado com os pertences de Allan. O corpo queimaria de tal maneira que seria impossível comprovar com absoluta certeza sua identidade. A roupa de Allan daria uma pista do que acontecera e suas digitais no carro seriam a principal prova de que ele era o homem morto naquele local distante de tudo. A vítima estava desacordada para tornar a preparação mais fácil.
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Porém quando o fogo começou a queimá-lo, o doutor gritou e se contorceu enquanto a pele inchava e se rachava, derretendo, deixando o sangue borbulhar abrindo espaço para as chamas devorarem os músculos até alcançarem os ossos.
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Enfim o homem estava morto e para os olhos do mundo aquele era Allan. O jardineiro cumprira sua promessa, enfim seu amigo estava livre. Sua antiga vida estava terminada, uma nova se abria à sua frente pronta para levá-lo por um caminho sem volta. Contudo, restava ainda alguma humanidade, um último resquício de sanidade em Allan. Mesmo naquele momento negro, um último apelo de consciência gritava nos porões de sua mente. Até o jardineiro lhe rebatizar.
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_Ora, meu amigo. Você daqui em diante será quem sempre foi. Jacob.
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Esse foi o último golpe que venceu as forças que resistiam ao instinto assassino que o jardineiro plantara e cultivara em Allan. O outono cessara.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Sal da Terra


A minha cidade é um fracasso que vem sendo travestida de personagem. Mas querem que ela seja santa, musa, eu a quero como ela é: uma meretriz em um cabaré. Amaldiçoada como conta sua origem, inútil, indecisa, perdida, mata virgem e puta desgraçada. Violenta e vagabunda, cemitério de elefantes e maternidade de viciados, playground de exilados saudosos e felizes por não se misturar. Paraíso de férias, tédio diário, terra prometida. Sodoma, Babel e Gomorra em uma só. Aqui não existe gente, há platéia que assiste a própria vida desfilar, sem graça, se arrastando, sem saber o que fazer e sem coragem pra morrer. Ultrajante e que nos insulta com o seu coração pulsando e cheio de esperança. Sonho prostituído e ainda assim, belo e idiota como só as utopias mais doces e poéticas podem ser. Uma piada, rimos e mostramos as nossas bocas desdentadas, podres e fétidas para a vida. Muitos são pobres, os ignorantes são felizes, poucos fazem alguma coisa, e desses quase nenhum vale merda nenhuma.
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Toda segunda tem circo na câmara, uma vez por ano temos o nosso carnaval de caubóis, de quatro em quatro anos acreditamos em nós mesmos e somos os nossos piores inimigos há mais de cem anos. Coisa que não deveria ter sobrevivido, aborto falido, orfão de São Paulo, sentinela cega que logo não terá nada para guardar. Isso é onde eu moro, assim é minha cidade, Itararé. Bem-vindo aos olhos de um filho da terra.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Heroína

Você parece Joana D'arc
Enfrentando exércitos, fazendo seus saques
Em um desses, você tomou meu coração
Mas não quero viver na guerra
Peço ao menos uma trégua
Pro seu dragão
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Eu não quero heroína
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Eu sou o príncipe na torre e você é que vem galopando me salvar
Empunha a espada e usa armadura pra lutar
Mas não sou seu inimigo, quero mais é te despir
Deixa de lado todo esse ferro e vem me sentir
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Eu não quero heroína
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A sua euforia é tão rápida e logo chega a tristeza e a raiva
Se você não consegue lidar com isso como espera que eu o faça?
O seu silêncio é feito de tempestades e deserto
Não posso plantar meus sonhos onde tudo é tão incerto
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Eu não quero heroína
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Você está em meu sangue e me queima por dentro
Toma-me de assalto e invade todos os meus pensamentos
Me faz sentir vivo, amplia os meus sentidos
Só lembre-se que estou com você porque te amo
Não porque você é um vício
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Eu não quero heroína

sábado, 17 de outubro de 2009

HILDA HILST

DO DESEJO
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Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.
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I
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Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.
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II
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Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
E que escura me faço se abocanhas de mim
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.
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III
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Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosses nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
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IV
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Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?
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V
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Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quanto tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Saber por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.
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VI
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Aquele Outro não via minha muita amplidão.
Nada LHE bastava. Nem ígneas cantigas.
E agora vã, te pareço soberba, magnífica
E fodes como quem morre a última conquista
E ardes como desejei arder de santidade.
(E há luz na tua carne e tu palpitas.)
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Ah, por que me vejo vasta e inflexível
Desejando um desejo vizinhante
De uma Fome irada e obsessiva?
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VII
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Lembra-te que há um querer doloroso
E de fastio a que chamam de amor.
E outro de tulipas e de espelhos
Licencioso, indigno, a que chamam desejo.
Não caminhar um descaminho, um arrastar-se
Em direção aos ventos, aos açoites
E um único extraordinário turbilhão.
Por que me queres sempre nos espelhos
Naquele descaminhar, no pó dos impossíveis
Se só me quero viva nas tuas veias?
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VIII
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Se te ausentas há paredes em mim.
Friez de ruas duras
E um desvanecimento trêmulo de avencas.
Então me amas? te pões a perguntar.
E eu repito que há paredes, friez
Há molimentos, e nem por isso há chama.
DESEJO é um Todo lustroso de carícias
Uma boca sem forma, um Caracol de Fogo.
DESEJO é uma palavra com a vivez do sangue
E outra com a ferocidade de Um só Amante.
DESEJO é Outro. Voragem que me habita.
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IX
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E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubilta-te da memória de coitos e de acerto.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
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X
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Pulsas como se fossem de carne as borboletas.
E o que vem a ser isso? perguntas.
Digo que assim há de começar o meu poema.
Então te queixas que nunca estou contigo
Que de improviso lanço versos no ar
Ou falo de pinheiros escoceses, aqueles
que apetecia a Talleyrand cuidar.
Ou ainda quando grito ou desfaleço
Adivinhas sorrisos, códigos, conluios
Dizes que os devo ter nos meus avessos.

Pois pode ser.
Para pensar o Outro, eu deliro ou versejo.
Pensá-LO é gozo. Então não sabes? INCORPÓREO É O DESEJO.
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Os dez primeiros poemas do livro que ganhei de presente de aniversário da minha mulher. Fiquei tão apaixonado que resolvi compartilhar aqui um pouco dessa leitura deliciosa. Hilda Hilst é a minha mais nova descoberta, o combustível novo que alimenta o meu desejo por ela - a fonte inesgotável do meu prazer. Você, a quem devoro como lava, e sopro, como o vento o pó. Você é o meu maior presente.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saudação à Saudade


Eu te saúdo saudade, você que me chega invadindo o peito
Te recebo com esperançosos olhos sorrindo lágrimas de nostalgia
E nos lábios trago a lembrança doce de dias vividos em desmedida alegria
Ofereço então em contrapartida, meu coração sangrando por promessas e sonhos,
Para que faça dele sua moradia
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Lavo seus pés saudade, pois conheço o caminho que te trouxe
E se hoje a ausência se faz presente é porque já trilhei muito no passado
Percebo agora que tudo que fiz foi me encaminhar mesmo que por meios errados
Para o calor pulsante e carinhoso de teus braços
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Beijo suas feridas saudade, aliás, as cultivo
Porque aprendi a aceitar minhas fraquezas e agora sou mais forte
E a duvidar sem temer, e a amar sem prender
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E faço de ti saudade, o ventre onde gero meus desejos
Minha confidente, íntima de todos meus mais secretos pensamentos
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Todo dia primavera
Colher sorrisos em seu rosto
O sol queimando em suas bochechas
Seus olhos brilhando mais forte do que todas as estrelas
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Te amar com a urgência do último suspiro
Com a incerteza liberta de quem se entrega
Com a certeza de que fomos feitos um para o outro
Seremos felizes mesmo se no nosso caminho Drummond puser pedras

terça-feira, 13 de outubro de 2009

I'm back


Estou de volta. Desculpem a minha ausência. Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas voltei. Mais velho, feliz, realizado.

sábado, 3 de outubro de 2009

Feliz aniversário, vida!

E eis que surge ela, sorrateira, a moça dos cabelos cor de fogo (agora não mais) e toma de assalto o moço de olhos, boca, mãos e alma inclassificáveis.





Era meio-dia e era hora
de minh'alma enroscar-se à tua
e fundir meu corpo ao teu
por um momento que perdura
infinito instante de fúria
de bocas e tilintar de beijos
de água sorvida de lábios teus
água de poesia tua
fluidez de gozo meu.


Quero dançar com você até os aniversários começarem a cansar nossos pés e decidirmos sentar juntos para olhar a tarde cair - porque nossas almas, meu amor, essas são incansáveis.


Feliz aniversário, Zé. Espero que um sorriso esteja nascendo no seu rosto agora...


SUA - SEMPRE SUA - NINA.