HORAS ETERNAS
A esperada tempestade que salvaria a lavoura da estiagemCaí sobre o deserto estéril como uma benção desperdiçada
A natureza não se importa com nada
Quando chega a hora, abre-se as portas
E o desejo se despeja pelas comportas
Escorre pelos dedos a vida pegajosa
Sem o destino predestinado em cada gota
Semeando a solidão frustrada
Matéria sem alma
Um canal de sangue sujo, uma rua sem saída
Uma noite fria, uma cama vazia
Cada vez mais o vácuo toma espaço
Engolindo as horas do fim do dia
O que deveria ser o momento mais aguardado
Desaparece como lágrimas na chuva
Em dor, em medo, em silêncio
Não há como saber quanto mais durarará esta sina
E a cada noite a dor aumenta
Como uma inflamação, uma febre, um tormento
Um abraço de ninguém com ninguém, sem laço
Maldito desejo culpado
Amar torna-se um fardo
Enterra-se a vergonha no desgosto, na fantasia, no cadafalso
Os dias se repetem
As noites são amargas
Nunca estou sozinho
Mas nunca tenho companhia
E nas horas eternas
Eu prometo dar um fim
De alguma forma
À mim, à minha alma perdida
