terça-feira, 28 de agosto de 2007

Textos para se pensar: Monólogo das Mãos












Monólogo das Mãos
de Oduvaldo Vianna
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Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......
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As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário; Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena; foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência; os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
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Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram. A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir; o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar. Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba! Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
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As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva. Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor. Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
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O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas. A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada a pena e a cruz!
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Modela os mármores e os bronzes; da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza. Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos. O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade. O noivo para casar-se pede a mão de sua amada; Jesus abençoava com a s mãos; as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
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Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias. E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem. Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
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E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!
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Para quem quiser conferir o monólogo declamado.

11 comentários:

Anônimo disse...

Olha este monólogo é muito muito bom eu até peguei emprestado uma parte !
kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Desculpe, mas sempre ouvi dizer que o "Monólogo das mãos" era de autoria de Oduvaldo Vianna e não Ghiaroni como citado. Afinal quem é o autor?

ivanira disse...

maravilhoso este monólogo,fiquei emocionada ao lê-lo sinceramente achei lindo parabén ao autor

E agora José? disse...

Meu caro Anônimo, de acordo com uma pesquisa rápida que eu fiz, a autoria deste poema é do Ghiaroni, assim diz esse site:

http://razaoinconsciente.blogspot.com/2006/03/monlogo-das-mos.html

Já nesse outro, a autoria é dada ao Oduvaldo Vianna:

http://www.bibi-piaf.com/bibimologodasmaos.htm

Então, não tenho como precisar com certeza. Como este último site tem mais informações detalhadas, aparentemente a autoria devida é realmente de Oduvaldo. Vou arrumar o post com o que me parece o mais justo, cedendo a autoria ao Oduvaldo. Obrigado pelo toque.

Claudio disse...

É de Oduvaldo Vianna, meu avô.

assiando: Claudio Vianna

Isabel Vianna (Isa) disse...

Monólogo das mãos é de meu tio Oduvaldo Vianna.

Anônimo disse...

É de Oduvaldo Viana (1892-1972), dramaturgo brasileiro. Este poema faz parte de uma peça de teatro lá dos meados do século 20. Parte do poema é baseado em um texto filosófico de Montaigne.

Anônimo disse...

!Quem é você,dono deste blog tão excêntrico?! Que traz beleza e intensidade... que traz boa gente.. deve ser boa gente! Tem harmonia... blog, no mínimo, interessante!

Fernanda disse...

Insisto... quem é você?!

E agora José? disse...

Sou mais um José, alguém que fica encantado em despertar a sua curiosidade. Fico feliz que você tenha gostado deste texto que também me despertou admiração. Seja bem-vinda pra visitar-me sempre.

Anônimo disse...

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