sábado, 26 de abril de 2008

A Poesia - Manoel de Barros

A POESIA - Manoel de Barros
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A poesia, a poesia está guardada nas palavras
É tudo que eu sei
Meu fardo é não entender quase tudo
Sobre o nada eu tenho profundidades
Eu não cultivo conexões com o real
Para mim poderoso não é aquele que descobre o ouro
Poderoso pra mim é aquele que descobre as insignificâncias do mundo e as nossas
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil
Fiquei emocionado e chorei
Sou fraco para elogios.

5 comentários:

I'm Nina, Marie, etc... disse...

Muito bom.
Mas assim como grandes gênios foram considerados alunos medíocres, grandes artistas só tornaram-se grandes após sua morte, bons escritores foram e serão duramente criticados.
Por isso eu quero mais é que a crítica se foda.
Eu gosto do que eu gosto, não do que dizem que é bom. Gosto de filmes ruins, livros rasos, artistas trôpegos. Tudo isso de acordo com os empoleirados críticos.
Por isso escrevo pra mim, não para os outros.

Lucas disse...

muito bom meu amigo, espero que você consiga atingir eu preciso voltar a escrever, rs até mais e vê se aparece no meu bar.

E agora José? disse...

Claro meu amor, escrever não depende de aceitação. Mas, é bom receber críticas, aprender através da leitura dos outros. Só que, aqueles que se dizem profissionais nisso, às vezes deixam de lado a técnica e enfatizam sua opinião pessoal e parcial e insistem através de seu prestígio que essa é a única verdade. Uma pena, frustrante e revoltante, pra ser mais exato. Quando o ego cega os olhos, excesso de confiança dá nisso. Falta de confiança, cria covardes. Espero me equilibrar sem pender para nenhum dos dois extremos. Acredito que estou no melhor momento da minha vida e da minha escrita, porque você me proporciona o que há de melhor em mim.

I'm Nina, Marie, etc... disse...

Zé, eu, sinceramente não acredito na crítica como classificadora. Acredito que todos têm direito de criticar, sim, isso é até muito construtivo. Mas daí a um punhado de "opiniões" classificarem uma obra ou autor, é outra história. Além do mais, não acredito que a arte possa ser classificada tecnicamente. Não estamos falando de ciência, estamos falando de sentimento, de coração.
Arte, em qualquer esfera, é sentimento. Não escrevo sonetos porque não gosto de métrica, e quando me arrisco em poesia, não dou a mínima pra ela. Quando pinto um quadro, não quero saber de técnicas de pintura, eu sinto a tela, as tintas, e as utilizo da forma que acho melhor... Aí vem um cara e diz que eu inventei uma nova técnica... Faça-me o favor...
Deve ser fácil ganhar dinheiro dizendo se você gosta ou não do trabalho dos outros...
O Rio de Janeiro é um grande exemplo disso: há artistas maravilhosos que não têm espaço porque não têm grana para fazer, por exemplo, vernissages. Sabe o que eles fazem? Vão para â porta do metrô no centro da cidade expor os trabalhos... Aí vem uma "filhinha-de-papai", suja uma tela de tinta e diz que é arte abstrata e minimalista... E são esses trabalhos que os críticos elogiam e classificam como ARTE.
Resumindo: faça o que você sente, deixe os sentimentos transbordarem pelos poros e escreva (ou pinte, ou borde)da forma que você sente as palavras. Isso é a verdadeira arte. Nunca se deixe corromper pelo maravilhoso mundo da crítica...
Será que sou revolucionária ou insubordinada demais?
Desculpe... Me empolguei...
rsrs...

E agora José? disse...

Não peça desculpas, imagina, adoro discutir opiniões. Só que nesse caso, também devo concordar com você. E só de imaginar a maneira como você escreveu isso, provavelmente da mesma maneira que você se empolga em uma discussão, me dá uma vontade louca de te dar um beijo. A arte é inclassificável, e crítica não deve ser julgadora, repito o que disse no seu blog. Escrevamos mais e mais, independente do que nos julgarem, revolucionários, insubordinados, subversivos, pornográficos.