quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ninguém mais - Cassiano Ricardo

Ninguém mais
.
Quando pergunto alguma coisa ao silêncio da hora triste,
não sei de onde uma voz me responde
.
Quando olho no espelho do rio,
no azul sem mágoa da planície da água,
vejo alguém que me espia longamente
.
Quando vou pela estrada que serpeia o oceano de areia
sob a lua que me ilumina o passo incerto,
noto que um vulto,
alguma sombra estranha,
pelo caminho que me acompanha...
.
Só tenho três amigos:
meu eco,
minha imagem, minha sombra
.
Cassiano Ricardo

Um comentário:

minesccampos disse...

Amo este poema do Cassiano RIcardo . Muito profundo como são também osa da Florbela ESpanca.