segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

A minha cabeça-de-vento...



ONDE O MINUANO MORRE

Nos céus de minha terra
Quando Éolo e seus servos
Austro, Bóreas, Euro e Zéfiro
Promovem guerra

O firmamento sangra
A rosa-dos-ventos despedaçada
Em tempestades profanas
Ecoa das Cumullus Nimbus a batalha

Varrem os sonhos para longe
Enlouquecem as mentes desesperadas
Perdidos estamos sós
Entre a tormenta e o tormento
Andorinhas sem asas

O frio gela, a chuva de lágrimas doces
Servidas em uma taça de prata

Aqui é onde o Minuano morre
Este é o cemitério dos sonhos sem nomes

Aqui é onde o Minuano morre
Esta é a terra onde se enlouquece, agoniza e falece
A esperança dos dias que nunca chegarão

Todos nascem em Itararé, ansiando pelo verão

E as aves de mau-agouro colhem os seus tesouros
Os suicidas que se enforcam com cordas de varais
Tocam a melodia medíocre da nossa farsa

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3 comentários:

I'm Nina, Marie, Genevieve, Juliette... disse...

É exatamente essa a poesia que gosto de ler. É visceral e livre... É difícil explicar, é coisa de métrica... Métrica?! Mas o que é isso?
(Nunca gostei das poesias quadradas e perfeitamente rimadas, simétricas, enjoativas)

O que você faz é poesia, sim! Isso é ser poeta.

Tulipa disse...

Parabéns! gostei do seu poema. Assim como o amor, a morte, só através da poesia se consegue expressar! bj

E Agora José? disse...

Obrigado pelo carinho e apoio. Ultimamente a poesia parece estar querendo me falar algo, tomara que eu consiga ser um bom intérprete.